terça-feira, 19 de outubro de 2010

IGREJINHA!

12.10.2010 – IGREJA DO RICHARD MEIER

Este post é dedicado ao Luiz e ao Ivan, que muito gentilmente me deram a dica, depois da palestra do Richard Meier na FAU. O post é grande mas vale a pena aos arquitetos!




Eu acordei mais ou menos cedo, e fui com o marcon no Uficcio Erasmus pagar uma viagem para uma cidade mais ou menos perto de Roma, a um pouco menos de 200Km daqui. Nós vamos para lá no dia 18, em uma sensacional e deliciosíssima festa do chocolate! Lembrando que peruggia é a cidade da fábrica dos chocolates Baci, então eu espero me empanturrar de chocolate e sair de lá rolando, ou eu espero me afogar em uma fonte de chocolate, e todas essas deliciosas coisas que envolvem chocolate!

O Marcon tava doente e voltou para casa, e eu resolvi ir até a igrejinha do Richard Meier que os meninos me deram a dica. Para ir: peguei uma linha de metrô, andei 2 estações. Fiz a baldeação mais terrível que o mundo já viu, e peguei outra linha de metrô e andei mais 15 estações. Chegando lá, andei mais uns 600 metros e peguei um ônibus e andei 9 paradas. Aí, eu esperei outro ônibus e andei mais 12 paradas até finalmente chegar na igrejinha, muito muito tempo depois (não sei quanto tempo foi, devia ter cronometrado).

Durante o caminho, eu fui reparando como o raio da igreja era longe, e como eu não devia conhecer nadinha de Roma. Por analogia, eu cheguei na lindíssima conclusão ( que eu já sabia, na verdade, mas agora foi o “cair da ficha”): eu não conheço nadinha de São Paulo. Sério, se eu não conheço nada de Roma e ela é pequenininha, imagina só o que eu conheço de São Paulo. Meu deus, a nossa cidade é idiotamente gigante!

Imaginem só, em população: Roma tem 2,5mi de habitantes, e são Paulo tem 11mi. Logo, somos mais que 4 vezes maiores que os nossos amiguinhos da pizza. Orra, acho que a gente devia dividir a são Paulo em 4 novas cidades, e talvez assim fosse mais fácil de governar.  Eu estou um pouco horrorizada com as proporções das coisas...

Deixando isso de lado, durante o caminho até a igreja, na parte que eu fiz de ônibus, deu para reparar como a periferia de Roma é cheia de parques e grandes praças bem cuidadas e cheias de carinho. Eu vi as pessoas do bairro cuidando das plantas, crianças brincando com os pais de bicicleta, casais de namorados, velinhos passeando, e todas essas coisas fofinhas em cada um desses pequenos lugares. Achei legal porque todos tem uma gostosa área de lazer, convívio e encontro bem pertinho da sua casa, o que torna a rua um lugar bem mais aconchegante e convidativo. Curti.

Outra coisa interessante é que estava na hora do almoço. Como todos sabem, aqui, no almoço, tudo fecha por 3 ou 4 horas, e as pessoas vão almoçar em casa. Como almoçar não leva todo esse tempo, sobra um tempinho para brincar com os filhos, passear com o cachorro, cuidar das plantinhas e tal. Acho que por isso, nesse horário, a rua estava deliciosamente povoada de pessoas simpáticas e cheias de felicidade. Definitivamente a gente tem que aprender a viver, e essa história de cesta é a idéia mais brilhante do século, hahahaha!

Finalmente chegando na igrejinha, depois da reflexão forçada sobre o mundo já que eu não tinha outra coisa para fazer... tcharraaaan! A igreja estava fechada! Eu aqui, idiotona, não parei para pensar que as pessoas da igreja também almoçam. Era 1h30 da tarde quando eu cheguei, e a igreja só abria as 15h30. E lá fui eu passear pelo entorno da igreja, desenhar, comer porcarias baratas que eu comprei no supermercado, ficar olhando a cor das árvores no outono e todas essas coisinhas, mas foi legal para ver como a hora de almoço pode acabar te gerando um momento legal que não tem nada a ver com esperar as coisas abrirem. 

Parque atrás da igreja

Mocinha com o seu cão no parque, no almoço!

A igreja mais parece uma loucurinha


Recuo? Iluminação? Hãn?


Durante a espera, eu fiz várias perguntas a mim mesma sobre a igreja, para ficar mais fácil de contar depois o que eu senti. Resolvi colocar direto as perguntas, e as respostas que eu pesquisei, assim é mais fácil e vocês podem pular se não quiserem ver.


De onde vem tanto mármore carrara?

“Dã, Gabi, sua tontinha. Carrara é uma zona na Toscana, aonde tem muito mármore. É uma formação geológica meio rara, então lá, as montanhas são de mármore carrara. Esse mármore é um dos mais belos e valorizados, e foi com ele que Michelângelo fez várias de suas esculturas. Em Roma tem tanto mármore, em tudo, porque ele existe em abundância na Itália, e também porque é um lance cultural, pois antigamente fazer imponentes construções de mármore demonstravam o poder e os avanços tecnológicos da sociedade, sacou? Aí, até hoje as construções usam esse mármore, como na Igrejinha do Richard Meier...”

“ Saquei, devia ter olhado no Google antes de perguntar...” (cara de idiota)


Porque essa igreja está aqui?

O panfletinho que estava na Igreja diz o  seguinte: ”A escolha de construir uma obra de arte na periferia romana representou para a cidade um sinal de revalorização arquitetônica de toda a área periférica, deixando certamente uma marca não apenas nos visitantes mas também na população do bairro.”

Bom, sei lá, eu sou brasileira. O bairro não tem nada de ruim arquitetonicamente, nem urbanisticamente ( o probleminha são só os motoristas que definitivamente não sabem o que significa “coletivo” na hora de estacionar e tal), comparado ao Brasil, que precise de uma revitalização, ou revalorização. Mas não sei, o padrão deles pode ser diferente, e esse bairro pode ser o piorzinho de todos, mas eu o considerei bem charmosinho. Meio perdidão no mapa, com várias áreas vazias, mas charmosinho. De qualquer forma, a igreja se encaixa na proposta de valorizar o bairro, porque ela realmente é um marco na paisagem, e certamente mudou a região.

Eu também não sei se colocar a igreja ali, quase como uma nova oferta de lazer ( tem quadra atrás da igreja, um parque linear ali do lado e tal), seja um incentivo para atrair novos fiéis. Eu acredito que Roma não precisa disso, mas vai saber. De qualquer forma, foi muito legal a iniciativa de colocar em um bairro normal uma construção com tanta tecnologia, e cheia de simbolismos. É quase como colocar cuidadosamente um delicioso morango todo bonitão no meio de um monte de batatas, é lógico que o morango vai chamar toda a atenção pra ele e vai dar uma valorizada nas batatas por tabela...


Porque 3 curvas e 1 reta?


As 3 "barcas", como ondas, "abraçando" as retas



Segundo o panfleto disponível na igreja, a forma da nave retoma a idéia de uma barca, a “barca de Pedro”. Na tredição cristã a Barca representa a Igreja como o povo de Deus, guiado por “Pedro”, o Papa. O panfletinho diz também o seguinte:

“ Esta igreja, desejada pelo Papa João Paulo II como recordação do Jubileu do ano 2000, devia representar a “barca da Igreja”, que sulca os mares do terceiro milênio. As três velas, que dominam da nave da capela ferial, simbolizam a Trindade e a vela maior quer dar a sensação da proteção de Deus sobre a Comunidade cristã. Com efeito, quer vertical, quer horizontalmente, o sol nunca entra diretamente na igreja, exceto em um particular momento da tarde, quando, de uma pequena janela colocada no alto atrás do presbitério, a sua luz ilumina do exterior o crucifixo colocado no interior”

Sobre essa coisa da luz, valeu a pena reparar nos pontos de iluminação artificial, que foram muito bem pensados, e também no rasgo que tem no chão, na vela pequenininha, que deixa a luz entrar na igreja na altura dos nossos pés. Super cênica a iluminação vinda desse rasgo, muito bonita. 



iluminação externa

Detalhe para a iluminação interna

iluminação artificial no piso, e natural ali do ladinho




Porque 5 sinos? Porque os sinos tem tamanhos diferentes? 






Também, segundo o panfleto:

“Os sinos, fundidos de modo artesanal na Pontifícia Fundição Marinelli de Agnone, são cinco  e em cada um deles estão evidenciados alguns elementos de caráter paroquial e de caráter universal: o primeiro sino, o maior, é dedicado à Europa e intitulado de Virgem Maria; ele contém o elenco de todos os Jubileus Ordinários desde 1300 até hoje e a data da primeira celebração paroquial. O segundo em ordem de grandeza é dedicado à América e intitulado São Pedro e São Paulo, patronos da cidade de Roma; contém, além disso, a bata do primeiro batismo na paróquia. O terceiro, sempre em ordem de grandeza, é dedicado à África e intitulado São Carlos Borromeu, em honra ao Papa João Paulo II, cujo nome de Batismo é Carlos; contém a data do primeiro funeral. O quarto sino é dedicado à Oceania e intitulado de São Cirilo de Alexandria e São Tomás de Aquino, em hora das paróquias às quais pertencia primeiro o território da nossa paróquia; contem a data do primeiro matrimônio. Por fim, o quinto sino é dedicado à Ásia e intitulado de São Francisco Xavier e Santa Teresa do menino Jesus, patronos das missões; contém a data da colocação da “primeira pedra” do complexo paroquial”

Dispensa maiores explicações. Para mim, está suficiente assim.


Porque a cruz é tão discreta? 


cincão para quem ver a cruz de primeira,
sem procurar nem um pouquinho



Não sei  nem se dá para reparar nas fotos, mas a cruz está lá. Não está no ponto mais alto, como é o comum, e não está nem na igreja: está ali, discreta, apoiada em um pilarzinho discretíssimo, no muro da igreja. Bom, eu não sei porque ela está ali, mas ela foi a última coisa que eu vi, de tudo. Não sei se o Richard Meier quis dizer alguma coisa com isso, mas acho que não, uma vez que realmente uma cruz ali no meio daquelas ondinhas ia ficar bem nada a ver. 

De qualquer forma ela é extremamente discreta e pode facilmente passar desapercebida.


De que forma a luz natural foi levada em consideração na composição da fachada?

Eu estava pensando na importância da luz no interior da igreja quando me fiz essa pergunta. Na verdade, eu não sei até que ponto a luz foi pensada na composição da “fachada” ( sei lá, acho que o termo está errado, a igreja meio que não tem “lados” para ter uma fachada, eu fiquei confusa...). Tudo no exterior é muito branco, a luz é bem refletida, e o vidro dá uma grande transparência, e gera uma leveza para quem está do lado de fora. Com os muros fechados, é como se a igreja “voasse”, porque é uma construção branca, reluzente, cheia de transparências; ela não parece nada com um volume seguramente preso ao solo.

Enfim, acho que a luz tem muita culpa nessa “brancura” de cegar os olhos e nessa leveza de duvidar da estrutura, mas não sei até que ponto ela foi determinante na forma da igreja. Acho que a forma foi feita para que a luz entrasse de uma forma teatral na nave da igreja, isso sim, e que o branco da parte externa, por si só, já dá essa idéia de leveza.


Porque as são curvas do lado direito da composição, e o lado esquerdo é rígido e ortogonal?

Tá, nessa pergunta eu fui meio begginer, mas eu não tive a sacada que a igreja são as 3 velas, e a parte mais à direita é o campanário, e que, apesar de interligadas, são duas coisas diferentes. O Richard Meier já previu que eu ia ser burrinha e deixou bem explícito que eram duas coisas diferentes, através da forma livre de uma e rígida da outra, mas eu não fui sensível suficiente para sacar de primeira. Até os sinos ficavam evidenciando a torre e tal, mas agora que eu li isso, em outro panfleto, tudo faz sentido.
Não tenho mais nada a acrescentar. Um é a igreja, o outro é o campanário, dã.


Porque diferentes materiais, do lado esquerdo e direito da igreja? Porque concreto, metal, mármore e madeira?

A mesma coisa da resposta anterior, dã. Não bastava a forma, o cara ainda usou materiais diferentes e mesmo assim eu não saquei na hora que uma coisa era a igreja, e a outra o campanário. Dã!

Espero que vocês tenham gostado! Aos que ainda não fizeram fadonas, o trabalho tá quase pronto aí já! Podem copiar!

MAIS FÉRIAS!

10.10.2010 – MERCADO DE PULGAS DE ROMA

 Acordei as 9 da manhã, para encontrar a Leti no metrô Pirâmide.

Primeiro, porque o raio da estação chama Pirâmide? Ela foi construída por um nobre, chamado Gaio Cestio, no início do Império. Eu entendi que ele era um “nobre muito rico” ( não entendi qual era o cargo dele, só que ele era muito rico), que gostava dos egípcios. Logo, ele queria uma pirâmide só pra ele, em Roma! Hahaha, é muito maluco mesmo, mas a pirâmide está lá, toda em mármore carrara. E o Sr. Ricão está enterrado lá também.

olha lá a pirâmide de Roma!




Depois da peculiar curiosidade, eu fomos na Feira da porta portese, que é o mercado de pulgas em Roma. Eu até levei a câmera, mas não tive nem coragem e nem tempo de tirar fotos ( o lugar estava lotado, e eu tomada por um desejo de comprar coisas), que seriam muito muito valiosas agora. O lugar era mó doidão, cheios de pessoas diferentes, vendendo em suas barraquinhas as coisas mais imagináveis e inimagináveis. Era como uma feirinha, daquelas bem cheias de camelôs, que ocupava uma rua inteirinha e algumas outras adjacentes. No fim, eu comprei um livo mó legal do Michelangelo por 3 euros, um lápis de maquiagem, e uma meia calça! Tudo bem nada a ver assim, mas eu podia ter comprado chuveiro, sapato, panela ou qualquer outra maluquice...

Chegando em casa, corri para o computador para comprar as passagens do ano novo. O site da Ryanair é uma melecona gigante, e aí eles ficaram fazendo a gente de idiota, fingindo que a gente tinha comprado a passagem, quando na verdade não tinha, e tal. Fiquei até de madrugada nessa história, e finalmente desisti e fui durmir.

11.10.2010 – AI, RYANAIR!

Acordei cedinho e fui na Decathlon com a Leti, para ela comprar a mochila dela. Não tem muito o que dizer sobre a Decatlhon, ela é enorme e longe ( tivemos que pegar o metrô até o fim, e depois um ônibus..), e cheia de coisas legais. Ela conseguiu comprar o mochilão dela, muito legal por sinal, e 3 horas depois eu já estava de novo em casa para a hora do almoço.

Depois do almoço, lá vem o estresse com a Ryanair de novo. Dessa vez, eu consegui comprar as passagens, mas só 3, e não as 6 que precisava, mas pelo menos metade do pessual já está garantido para Bratislava. As outras meninas, no fim, decidiram encontrar a gente em Praga direto para o ano novo, e a viagem ficou assim: ROMA - BRATISLAVA – PRAGA – BERLIM – VIENA – BUDAPESTE – BRATISLAVA – ROMA. Por enquanto só compramos as passagens para a primeira parte da viagem, faltam todas as outras passagens e os albergues também. Meu deus, quanta dor de cabeça essa viagem vai dar antes dela acontecer, o bom é saber que ela vai ser ótima e que vai valer todos os minutinhos perdidos na frente desse computador, brigando com a Ryanair.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PIC NIC ERASMUS!

09.10.2010 

Tinha programado o passeio à tivoli, mas acordei as 13h30, e obviamente o passeio foi para o espaço. O passeio ficou para outro dia, e a preguiça tomou conta de mim. Até umas 17h00, eu não tinha feito nada, quando resolvi ir com o marcon em um PIC NIC dos erasmus no Circo Massimo.

Lembra daqueles filmes de época que tinham aquelas corridas de Biga? Então, o Pic Nic era em uma dessas pistas, que foi mantida, bem no centro de Roma, como um parque. Na verdade nem é um parque bonito, é uma vala gigantesca com uma graminha sem vergonha, mas é bem legal colocar a imaginação para funcionar e imaginar umas corridas muito doidas, uns caras em cima do cavalo levando golpes mortais e todas essas coisas que deixariam qualquer criança de 5 anos pirada de tanto imaginar. Enfim, eu tenho um pouquinho  mais de 5 anos, mas a minha imaginação curtiu a experiência.


Quando a gente chegou já estava escurecendo, então não deu para tirar fotos muito esclarecedoras do lugar. Deu pra ficar testando umas aberturas diferentes, umas velocidades diferentes, e uns isos diferentes. O resultado está aí embaixo, mas volto a dizer, não é muito esclarecedor sobre o picnic.





Como todos podem notar, os erasmus e seus programas ocupam toda a minha vida, e roubam toda a minha saúde, mas no fim das contas é bem legal. Cada dia eu converso com pessoas de nacionalidades diferentes e conheço histórias novas, tipo a alemã que foi fazer o último ano do colegial no interior de MG, com 16 anos, para conhecer um pouco mais da cultura brasileira (!!!). Daí ela voltou para a Alemanha, faz faculdade de Letras e veio estudar 6 meses em Roma. Bem legal, era era simpática...

Rolou também uma tímida aproximação com os espanhóis, que são o maior grupo de erasmus daqui de Roma, e eles só andam entre eles, e não sabem falar italiano. Na verdade, o Dragoni levou o violão dele, e as pessoas foram se aproximando quando ouviam as músicas, aí as espanholas vieram pedir pra eles cantarem algumas. Ele cantou, a gente conversou um pouco, e depois eles foram embora, mas valeu para pelo menos dar um oizinho.

Eu também não fiquei muito, afinal tinha o jogo de vôlei do Brasil contra a Itália, e eu queria voltar para casa, para ver o jogo pela TV e ficar amargurando o fato de não ter conseguido comprar as entradas. O pic nic estava gostoso, então eu fiquei mais do que esperava, e cheguei em casa só para os minutinhos finais do jogo. Depois, cama.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

FESTA!

08.10.2010 – BALADA ERASMUS

Hoje, durante o nosso incrível dia, nós só fomos ao supermercado, e pesquisamos preço de viagem. De noite, a coisa foi outra: balada erasmus! Como sempre, os eventos dos intercambistas dominam o meu dia, ou noite, como era o caso.

Essa balada tinha tema, que era college. Ok, as pessoas deviam ir fantasiadas de colegial, meninas com sainhas e meia ¾, meninos de gravatinha azul. Então, não.

Sei lá o que eles entendem por college, mas tinham meninas com sainhas curtinhas, tênis, pirulitos e Maria Chiquinha; e meninos de cabelo bagunçado, sardinhas e gravatas tortas. Vai entender...

Mas poucas pessoas foram fantasiadas, a maioria foi normal mesmo, e sim, tinham italianos com a gola da camisa levantada, sabe deus por quê. Sei lá, estilinho europeu. A balada era bem legal, e tinha dois ambientes: um que tocava rock que era bom, e um que tocava musicas comerciais, que era bem mais ou menos, mas era a maior pista. A balada estava lotada, era difícil pegar bebida, a bebida era cara e era tudo exatamente igual ao Brasil. A única diferença, era que aqui as pessoas são bem mais trogloditas. Aqui não tem essa de esbarrar sem querer e pedir desculpa; aqui eles esbarram querendo mesmo, e ai de você se não sair do caminho, porque aí eles empurram, sem nenhuma educação. Mas já deu para reparar que isso é cultural, não é maldade, então eu que sou a estranha no ninho que tenho que aceitar.

A gente tirou umas fotos em um estúdio que eles montaram, dançamos um montão, conversamos com pessoas novas e essas coisas que se faz em uma balada. Quando eu cheguei em casa, era 5h30 da manhã. Acho que o passeio programado para Tivoli amanhã, saindo as 10 do metrô, foi para o beleléu.

Portugesas

Turcas


MANGIA CHE TI FÀ BENE!

06.10.2010 – DIA DA PREGUIÇA

Acordei as 10, fingindo que eu estava cheia de energia e esbanjando saúde (claro que estou doente como nunca, ou como sempre, desde que eu voltei de Florença). Deixei o Marconzis curtindo a preguiça dele e fui ao Temini (Sé, para os íntimos), ver quanto custava umas passagens de trem, e ir em uma loja de cacarecos de imigrantes fedidões, à procura de um shampoo barato. Claro, com os imigrantes fedidões sempre dá samba, aí eu encontrei o shampoo, fui feliz e tal, e depois eu fui encontrar todo mundo no bandeijão lá na FEA dos romanos.

Saindo do bandeijão, passamos na “atlética erasmus” e pagamos um jantar que vai ter amanhã em uma cidade pertinho de Roma, que chama Ariccia. Dizem que vamos comer e beber à vontade. À conferir.

De lá o Marcon e eu voltamos para casa, em silêncio, cada um curtindo a sua dor e a sua doença. Chegando em casa a gente começou com a piração de resolver a nossa viagem de ano novo, e ficamos no computador vendo esses detalhes até de madrugadona.

Primeiro, a gente tinha feito um roteiro sensacional que era Budapeste – Bratislava – Praga ( ano novo) – Dresden – Leipzig – Varsóvia – Aushwitz – cracóvia – Roma. Ia ser uma viagem demais pro leste europeu, só ia faltar Viena.

Depois de pesquisar o preço de todas as passagens, ver os dias e tudo mais, contar albergue e comida, chegamos à conclusão que essa viagem sairia quase 900 euros. Bom, depois de muitas horas perdidas, claro que desistimos, e resolvemos voltar para o mundo real, para fazer uma viagem mais econômica. O marcon continuou lá pesquisando, e eu, depois da decepção dos 900 euros, resolvi durmir.

Obs.: depois a gente descobriu que dá pra ir de uma cidade para outra de ônibus e fica bem mais barato do que ir de trem, mas aí a gente já tinha desistido mesmo, então já era.

07.10.2010 – JANTAR EM ARICCIA

Acordei as 9, arrumei umas baguncinhas do meu quarto e  comecei a ver umas passagens, umas coisinhas na internet. Mudamos o roteiro, e fizemos um outro bem mais econômico e legal também: Bratislava – Praga (ano novo) – Berlim – Copenhagen. Tristeza por Budapeste e a cracóvia que foram cortadas, mas eu ainda faço essa viagem em outra hora, junto com Viena.

Ficamos nessa de preguicinha e internet até anoitecer, quando fomos encontrar os Erasmus para o tal jantar em Ariccia. A cidade não era tão perto quanto Marino, mas com certeza era mais perto do que a zona Leste da minha casa. 

Não demorou nem 45 minutos para chegar lá, e pegamos trânsito. A cidade parecia bem bonitinha, mesmo! Mas como era de noite e a iluminação não era tão elaborada quanto a dos pontos turísticos de Roma, não deu pra ver muita coisa. Pena, porque eu sei lá se eu volto pra essa cidade alguma vez. Pena que eu não levei a câmera também, eu to pecando na falta de fotos, eu sei. Mas não seria muito prudente levar a câmera para um jantar aonde eu ia comer e beber à vontade né, sabe-se lá como eu ia sair daquele restaurante..

Enfim, chegamos no lugar e tivemos a primeira boa surpresa: os organizadores do jantar fizeram papeizinhos com o nome de cada pessoa, e organizaram os lugares na mesa para as pessoas de mesma nacionalidade não ficarem perto, assim todo mundo ia conhecer pessoas novas. Foi bem legal, tinha uma alemã do meu lado, uma mocinha da Bulgária do outro, um espanhol do lado da menina da Bulgária, um italiano na minha frente, uma francesa na diagonal e tal. Deu pra conversar bastante e fazer muita festa, e curtir a valer com muita confusão, com essa turminha do barulho...

O jantar foi bem uma caricatura dos italianos. Na verdade, os italianos que puxavam a festa e a gente seguia. Eles ensinavam música, viravam o copo de vinho para depois a gente fazer igual, gritavam quando a comida acabava, até uns pedaços de pão saíram voando entre as mesas. Os espanhóis, que são os erasmus em maior número, também ensinaram umas musiquinhas e tal, e quando eles falavam, o Olé fazia questão de levantar a mãozinha e fazer um 5, de 5 vezes campeão. Os espanhóis estão até agora meio eufóricos com a copa do mundo, mas coitadinhos né, eles só ganharam 1 vez, e a gente já até banalizou a conquista, de tantas vezes que ganhamos. Tinha um cara lá que até tinha uma tatuagem da taça na perna, horrível, por sinal. Sorte do cara que ele é muito gente boa...

hum, que beleza..

Já que vai tatuar a taça, que faça direito né espanhol...


Bom, a comida: de novo, para variar, era uma delícia. O pão era muuuito gostoso, e tinha o prato típico que era a porchetta, um porquinho pequenininho que era feito inteiro, tipo aqueles porcos que vão para o forno com a maçã na boca. Me perdoem os que acham isso nojentinho, mas a carne era muuuuito gostosa, e vinha cortada, o que fazia toda a diferença né, afinal cortar a carne, vendo o porquinho ali ser dilacerado é que não é muito gostoso..

Fora a porchetta tinha salames, e presunto de Parma, e queijinhos, e vinhos e tal. Claro, eu queimei a largada e me empanturrei dessas delícias e depois não consegui comer a pasta, mas tudo bem. O vinho, bom, a mesa do Dragoni vivia reclamando (reclamando = bater o garfo na garrafa vazia e gritar) que o vinho deles tinha acabado, mas na minha mesa ele chegava meio que por geração espontânea. Aí, sabe como é, come come, bebe bebe, amigos de outras nacionalidades, ninguém fala super bem, bebe bebe, come come e tal. Aí, saímos todos bêbados de lá e viemos cantando no ônibus de volta, arrasando no entrosamento vocal!

De lá, fomos para uma balada, porque festa pouca é bobagem, e ficamos 
dançando e sendo felizes até ficar bem tardão. Quando resolvemos ir embora, não sabíamos o caminho, mas sabíamos que estávamos perto do Termini. Ai teve uma hora que o Marcon perguntou pro lixeiro que estava na rua como fazíamos para ir ao Termini. Quando, no Brasil, de madrugada, um turista meio alterado pergunta para alguém na rua como chega no lugar mais óbvio da cidade e não é roubado, ou no mínimo zoado?

Enfim, nada disso aconteceu, e nós andamos felizes e contentes pelas tranqüilas ruas de Roma durante a madrugada, novamente. Só serviu para reforçar a minha opinião que Roma de madrugada é bem mais legal do que durante o dia, no meio da multidão.

Chegamos em casa tarde, e morremos.

sábado, 9 de outubro de 2010

A MADRUGADA EM ROMA

05.10.2010 – PASSEIO CULTURAL NOTURNO.

Como todos sabem, o mundial de vôlei está sendo aqui na Itália. As semis e as finais, e os jogos da terceira fase do grupo do Brasil vão ser aqui em Roma. Iupi, Brasil em Roma! Como a gente acordou com preguicinha, saímos de casa lá pelo 12h00 para ir comprar os ingressos para o jogo. Claro, não contamos com a bendita cesta dos italianos e demos de cara com a porta no lugar que vende ingressos. Tivemos que esperar até as 16h00, para o negócio abrir e a gente comprar os ingressos. Chegamos lá, todos felizões, dissemos que queríamos ingressos para as semis e para as finais, e tava tudo acabado. Pedimos ingressos para o jogo do Brasil com a Alemanha, e estava lotado. 

Poxa, deu mó raiva esperar a tarde inteira por isso,e ainda ter que ouvir assim “ah, de manhã ainda tinha ingresso”. Que raivaaa!!! O pior de tudo foi ver o jogo pela televisão e ver um zilhão de lugares vazios. Isso porque eles vendem uns pacotes aqui de vários jogos, aí os manes compram esses ingressos e vão só na final, ou em outros jogos, sei lá. Aí o ginásio fica vazio quando na verdade todos os ingressos foram vendidos. Uma puta falta de sacanagem com quem quer ir ver o jogo e não pôde.

Passada a tristeza, fomos jantar na casa do Daniel. Lá estava o Dragoni, o Olé, o Marcon, o Daniel e dois italianos que moram com o Daniel, esqueci o nome deles. Detalhe para o fato que eu era a única menina. É super gostoso, depois de mil anos de FAU, rodeada por meninas, estar no meio de um monte de meninos, e todos héteros (bom, ainda rola uma dúvida se todos são héteros mesmo, mas deixa isso pra lá..). E eles falavam de futebol, e de mulher, e de comida, e de coisas de meninos e eu pensava “puxa, que gostoso, não tem nenhuma menina aqui falando meninices...”

Do jantar, que foi super gostoso por sinal, fomos para o passeio cultural noturno. Foi super gostoso. Os erasmus estavam em um grupo grande, aí tinha tipo um “monitor”, que parava nos pontos históricos e explicava um pouco sobre a história, a arquitetura e as curiosidades do lugar. Eu não tirei muitas fotos porque estava mais preocupada em ouvir tudo, mas deu pra roubar umas fotos do facebook do fotógrafo erasmus:





O passeio que nós fizemos foi o seguinte: Piazza Del Popolo - Piazza Spagna - Fontana de Trevi – Pantheon - Piazza Navona. Só faltou o Coliseu e o Foro Romano para ser o passeio cultual clássico por Roma. Depois da piazza navona, nós paramos em um bar, que é tipo a “terça e breja” deles, que eles chamam de Cuccagna. Sei lá o que é cuccagna, o que importa é que é todo mundo no bar, tomando aquela cervejinha de sempre..

Lá pras 3 nós decidimos ir embora. Decidimos voltar a pé, já que a gente não sabia que ônibus pegar, e a noite estava bonita. Passamos pelo Foro Romano e pelo Coliseu todo iluminado à noite, para completar de vez o passeio. Fora o fato de termos caminhado 1h30 para chegar em casa, foi um passeio muuuuuuuito agradável, porque não tinha aqueles turistas, nem aquela multidão nem nada, só as ruas vazias, o silêncio, e a história da cidade berrando na nossa cara. E por um milagre sem tamanho, o marcon não me encheu o saco o caminho inteiro, foi a tranqüilidade que eu precisava, do início até o fim.

Depois do passeio noturno de hoje, eu tive a certeza absoluta que Roma à noite ( pelo menos enquanto ainda não está frio) é bem melhor do que Roma durante o dia. Os monumentos parecem mais bonitos, o tempo parece que está ao seu favor, dá pra apreciar tudo com mais calma, sem se preocupar com motoristas malucos e gente perdida, só se deixando levar pelos seus pensamentos e tal. Decidi: eu quero uma madrugada inteirinha só pra passear por Roma, tirando fotos com a maior tranqüilidade, isso sim que é passeio bom. Vamos ver se rola..

Mais uma vez chegamos tardão em casa, mais uma vez eu vou perder a manhã do dia seguinte, mas tudo bem, vale a pena! 

INÍCIO DE MAIS UMA SEMANA DE FÉRIAS

04.10.2010 – GREVE! AS RUAS, AS RUAS!

Eu acordei as 10, ainda meio perdida, mas o dia hoje foi tranquilão. Tomei banho e tal, e na hora do Marcon tomar banho, claro, ele quebrou o chuveiro. A gente tinha combinado de ir na faculdade à tarde, então consertar o chuveiro ficou para depois.

Fomos para a faculdade, na esperança de descobrir alguma coisa sobre a greve. Bom, descobrimos o motivo da greve: o nosso amigão com alma carioca Berlusconi resolveu cortar a verba da educação, resumidamente. Aqui tem alguns professores que não são consursados, aí foi desses professores que ele reduziu o salário. Acontece, que esses professores são quase 35% do corpo docente, aí eles resolveram entrar em greve. Ao outros professores, então, resolveram entrar em greve porque restaram poucos professores para dar aula. Os alunos, que são tão revolucionários malucos quantos os do NN ( na mesma proporção dos NN aí no Brasil), resolveram entrar em greve porque odeiam o Berlusconi.

Na faculdade, estava tendo uma assembléia. Sim, eu vim para a Itália, aqui 
lonjão, para ver uma assembléia em italiano! É impagável. E é tudo igual. As mesmas reclamações, os mesmos argumentos, tudo igual. Claro, eu não tive paciência de ficar lá mais do que 10 minutos. Eu cheguei, vi qual é que era, ouvi a historinha e me pirulitei. Afinal, tinha um chuveiro para ser consertado e eu não ia perder meu precioso tempinho em terras européias ouvindo as mesmas balelas de sempre. O fato é que a minha faculdade está em greve sem previsão de retorno. Bom, não sei eles, mas eu vou aproveitar o tempo livre.

Voltamos para casa e passamos em uma lojinha de coisas hidráulicas para comprar um chuveiro. Eba, chegou a parte maluca do dia: a mocinha que vendeu o chuveiro para a gente. Bom, na verdade quem vendeu foi um cara mó simpático, essa mulher era a mulher do caixa.

Para começar, a gente estava ali esperando para pagar e ela no maior papo com um cara e uma menina. Ela ficou lá, uns 5 minutos conversando sem nem dar bola pra gente, que estávamos fazendo as maiores caretas de “poxa, a gente quer pagar e ir embora, custa cobrar o chuveiro da gente e depois voltar a jogar conversa fora?”. No fim, ela se despediu do cara e da menina e resolveu dar atenção para nós.

Quando os romanos conversam entre si, algumas vezes não dá pra entender nadinha, mas sei lá, tudo bem, é um dialeto, eles falam correndo, faz todo o sentido não entender nada. Só que aí, a moça começou a falar com a gente sobre o assunto que ela estava conversando com o cara e a menina, e a gente não entendeu nada: nem qual era o assunto que ela tinha conversado com eles, nem do que ela estava dizendo pra gente. Aí a gente fazia cara de nada, dava um sorrisinho e fazia que “sim” com a cabeça, como dois imbecis.

O marcon acha que ela estava falando de alguém que bateu uma scooter. Eu entendi que tinha um celular no meio da história. Pode ser isso, ou ela pode ter comentado sobre a receita de um bolo de laranja, ou ela pode ter dito que nós éramos feios e estranhos, que não faz a menor diferença. Nesse caso não era nem um “blábláblá wiskas blábláblá”, porque nem o wiskas a gente entendeu. E a moça falava, falava, e dava uma risadinha. Aí a hora da risadinha era a nossa brecha de dar uma risadinha também e balançar a cabeça. Foi realmente ridículo, espero nunca mais ver essa mulher na minha vida. Imagina só se ela lembra de mim e pergunta qualquer coisa? Eu não vou nem entender que ela fez uma pergunta... enfim, a moça precisa de uma fonoaudióloga, pra aprender a falar claramente, e nós precisamos aprender alguma coisa sobre o dialeto romano para não passar vexame.

Fora isso a gente jantou e durmiu tranquilão, ufa.