segunda-feira, 1 de novembro de 2010

VENEZA, DIA 1

28.10.2010 - Giro por Veneza

Da estação de trem até o albergue:


“IÊEE, Veneza! A avenida é de água!”

“iê! Pontes, barquinhos!”

“iê! Olha só! Os prédios dão nos canais! Que bonitinho!”

“então, a rua acabou em um canal, talvez seja bom prestar atenção no caminho”

“nossa, quanta coisa linda! Que difícil de se concentrar!”

“igreja! igreja!”

“caramba, ela é grande...”

“ e tem uma torre..”

“vielinhas, persianas azuis, nós e nossos mochilões..”

“Iê! Pontezinha!!”

“ olha só! Os barquinhos estacionados!”

“meu deus, que vielinha do mau! Tem certeza que a gente vai pra lá?”


No dia seguinte:


“Uau, que ponte modernosa..”

“olha a cúpula! E os barquinhos! E a água! Iêe!”

“ o cruzamento, e a faixa de pedestres”

“ e o amor rola solto, logo pela manhã..”

“construções muito doidas, e chapéu estiloso”

“aviãaao!”

“flor, roupa molhada, leitor, água, barco.”
 Tá bom, vamos parar de olhar tudo e focar na “caça ao tesouro”. Neste primeiro dia, nós andamos a cidade inteirinha, pois tinham em pontos espalhados intervenções de vários países, para a bienal de arquitetura. Então, nós andamos toda a cidade à procura desses pontos. As fotos vão vir sem parar agora..


“então, Portugal meio que decepcionou bastante...”

“mas pelo menos a maquete até que estava simpática..”

“ a gente aqui vendo a mostra mais ou menos de Portugal e lá fora um dia lindo. Hum, alguma coisa está errada..”

“iê! Bienal! Vai ver só Portugal que mandou mau e a gente deu azar..”

 “vielinha, barquinho, aguinha, casinha, corzinha, fofinho..”

“canalzão, barcão, aguão, casarão, corzona, fofão!”

“ah, vamos turistar um pouquinho..”

“cada um com o seu caixilho, cada um com o seu caixilho..”

– “Gôndola? Vai um passeiozinho de gôdola hoje?”

“Uau! E não é que Veneza arrasa?”

“Faz uma foto minha aqui, que eu mostro para a minha mãe!”

“vamos parar de enrolar, a gente pode pegar essa viela aqui e cortar caminho!”

“ Meu, é prá cá mesmo?”

Humm, casinhas

“Andamos um montão, e é isso que o Irã pre mostra para nós? Bom, pelo menos tá melhor que Portugal..”

“Vamos Chipre! Arrasa com a concorrência!”

“ Mandou bem! Chipre número 1 do ranking”

“olha! A gente nem se perdeu para chegar nesse”

“vamos descansar antes de ver Luxemburgo? Será que vai ser bom?”


“ Marcon: nossa, Luxemburgo tá dando um soco na nossa cara!” As xícaras de café representam a vida muito doida dos arquitetos! Realmente, muitas noites viradas, muito trabalho, e pouco reconhecimento! Que droga! Porque eu fui ser arquiteta!?


Ah Marcon, não chora..

“olha só! Meu escritório vai ser assim mesmo..”

“café, café, café! Trabalha, trabalha, trabalha..”

“CAFÉEEEEE”

“ A gente no café, e a balada rolando lá fora..”

“ Olha eu, me vendo como uma arquiteta exausta! Me desdobrando em mil para fazer um projeto que eu não vou saber se vai sair do papel..”

“arquiteta, arquiteta, trabalha, trabalha..”

“Nossa, Luxemburgo mandou muito bem! Vamos logo ver o próximo!!!Eslovênia!”

“tecnologia! Ah vai, arquitetura é mó legal...”

“eu posso fazer um desenho muito louco, e ele pode virar um edifício!”


Desejo à direita, realidade à esquerda. Hum, a França está dando o recado..

 “hihihi, nada como cumprir as regras!”

“canais, gôndolas”

“uau! A praça S. Marco! Nem achei que a gente fosse ver ela! Corre, já está ficando tarde! Temos outros países para ver, e não dá tempo de dar uma de turista..”

“ aaaaaai, só uma fotinho!”

“e mais uma..”

“ e outra..”

“ e uma panorâmica”

“vamos Veneza! Que esplendor!”

“tira uma foto minha! Pode ser em qualquer lugar! O esplendor e eu! Mais do esplendor, menos de mim..”

“uaaaau”

“como ensinou Taiwan, Take a Break”

“Acabou o descanso! Correeee, vai fechar! Nossa, que vontade de sentar nos banquinhos vermelhos..”

“Que ponte estilosa! Olha, essa área é militar..”

“Chegamos! O que Cingapura tem para nos mostrar?”

“caramba, que pesquisa! Que maquetinha linear bonita! Como assim? Os caras querem colocar a população do mundo todo em Cingapura? E deixar o resto do mundo para as belezas naturais? Hum...”

“Olha! Eles tem um monte de soluções de Projeto 5!”

“ é, Cingapura é doidona, mas mandou muito bem!”

“ Ui, acabou o dia! Mais bienal, só amanha! Vamos voltar para o albergue, eu quero morrer..”

“Praça S. Marco! Iê! Que bonitinho!”

“ Vocês acham que é mais bonito de dia ou de noite?”



MAIS UMA VIAGEM!

27.10.2010 – Pádova

Depois de 2 dias descansando e organizando a logística das próximas viagens, estou pronta para mais uma viagem em terras italianas! Os destinos dessa vez serão: Pádova-Veneza-Verona. Eu vou ver o mar Adriático, a Bienal de arquitetura, a casa do Romeu e Julieta e tudo mais o que eu nem imagino que possa ter nessas cidades!

A viagem começou as 00h40 com o trem que foi para Bolonha. De Bolonha, nós pegamos outro trem que foi até Pádova. No total, foram mais de 6 horas de viagem. Tudo seria ótimo, se não fosse pelo terrível chulé do amigão da nossa cabine, no trem Roma-Bolonha! Meu deeeus! Não dava para pensar em outra coisa, aquele cheiro insuportável entrou em mim e não ia mais embora! O pior de tudo foi que ele foi legal  e colocou o sapato assim que a gente entrou na cabine, mas aí o estrago já estava feito. A Johnsons podia fazer uns talcos poderosos para os amigos europeus...

Chegando em Pádova, tivemos a primeira surpresa, logo ao sair do trem: FRIO! Faziam insuportáveis 6 graus, e nenhum dos 3 tinha pensado no frio, e ninguém tinha um casaco bom! Eu comprei uma meia calça logo ali, que foi mais ou menos suficiente para suportar o frio, junto com um montão de roupa, uma por cima da outra...






O Marcon tinha que ver um negócio na prefeitura de Pádova, então lá foi a primeira parada. Como a cidade é pequena, dava para fazer tudo a pé, e aí nós descobrimos que Pádova é linda, e é a cidade mais “moderna” que eu vi até agora. Muitos prédios são recentes, e bonitos. A cidade é limpa e bem organizada, muito legal!


Diz, na plaquinha, que este foi o
primeiro relógio da Itália.


Da prefeitura, nós fomos para uma grande praça em formato de pizza. Ela era bem legal, com um espaço livre enorme em torno dela, um canal circundando a praça, e um montão de estátuas nas duas margens do canal. A praça tinha duas vias que se cruzavam no centro da praça, aonde tinha uma fonte muito agradável, e um solzinho que prendeu a gente por alguns minutos até a gente se aquecer um pouco.


Ponte para acessar a praça.



estátuas que não acabam mais.



A catedral da cidade era ali pertinho, então essa foi a próxima parada. A Basílica se chama Basílica Di Santa Giustina, e é grandona e bonitona, grande novidade. Mas confesso que essa igreja foi uma das menos trabalhadas que eu vi até agora, vai ver porque ela é um pouco mais recente, e já tinha passado a ondinha de competição entre cidades, para ver quem tinha a igreja mais bonita. Vai saber...





Saindo da igreja, nós fomos para um parque que margeia o rio da cidade. O rio não é muito bonito, ele é bem turvo, mas o parque é lindo! Ele tinha aquelas árvores que ficam sensacionais no outono, e estava todo cheio de cores bonitas, que fotografavam muito bem com o céu azul. Só depois de chegar em Roma eu percebi que em Pádova eu praticamente só tirei fotos de árvores. Eu devia ter tirado fotos de outras coisas, mas as árvores realmente me chamaram a atenção, então, desculpa!


IÊ! Cores, outono, e tal..




Depois do parque, nós paramos em uma outra igrejinha que tinha no caminho. Não anotei o nome dela (mandei mau, de novo), mas com certeza esse foi o momento que calou todos nós. A igreja tinha em suas paredes placas de mármore com nomes de pessoas, e lendo a plaquinha nós descobrimos que embaixo da igreja estão enterradas muitas, MUITAS ( não lembro o número, mas eram muitas mesmo) pessoas que morreram durante a guerra, nos bombardeios à cidade. O que veio na minha cabeça foi a imagem da cidade destruída e daquele lugar como uma vala comum, aonde eram colocadas todas as pessoas mortas. Depois do fim da guerra, foi constuída uma igreja lá em homenagem aos mortos, com uma pequena lápide para cada um nas paredes. Assustador, e chocante. Depois disso a gente foi meio em silêncio até a estação de trem.







Na estação, pegamos um trem para Veneza, e mais uma vez uma pessoa muito maluca sentou do nosso lado. Dessa vez era um senhor, que claramente não queria ninguém sentado do lado dele. Mas lá era o único lugar com 3 assentos vagos, aí eu pedi para ele tirar o casaco dele de um assento para o Marcon sentar. Aí, depois que todos estavam acomodados, ele começou a fazer barulhos muito estranhos! “grrr, grrr, gruuuhhh, mmm, grr”.....”lalalá, lalaraláaaaa”... e por aí vai. Nós 3, claro, rimos na cara dele, e aí ele intensificou os barulhos, e deu umas olhadas bem desejosas para o nosso biscoitinho. Hahaha foi engraçado, mas só porque foram 40 minutos de viagem, porque se fosse um pouco mais, a Leti ia dar um soco na cara dele (lembrando que a Leti era a única coitadinha que estava sem o iPod, então ela ouviu por mais tempo e com mais clareza as rosnadas do senhor malucão).

Chegamos em Veneza e ainda era de dia. Como eu tirei muitas fotos em Veneza, eu vou parar esse dia por aqui e juntar tudo de Veneza em dois posts, um para cada dia. Mas aí eu vou fazer  um pouco diferente, vou colocar um montão de imagens e ir escrevendo na legenda. Como tem muita coisa para dizer e uma imagem vale mais do que mil palavras, resolvi economizar nas palavras e contrar uma foto-história para vocês.