sábado, 9 de outubro de 2010

PERUADA ITALIANA

03.10.2010 – VIAGEM À MARINO

Acordei cedinho, e o marconzis ainda estava dormindo. Enquanto ele estava na preguicinha matinal dele, eu preparei um café da manhã bem gostoso e tal. 

Comemos, vestimos roupas escuras para não sujarmos roupas brancas, e partimos para a viagem para marino. Nós devíamos nos encontrar com os ERASMUS às 11h00 no metrô, e então saímos de casa as 10h10, para não nos atrasarmos. Claro, não contávamos com a estúcia da estação Termini nas nossas vidas! Como diz o marcon, a tradução de Termini é Sé. Meu deus, sabe, domingo, 10 da manhã, que inferno os italianos vão fazer para lotar tanto assim o metro? Que inferno os italianos engenheiros tinham na cabeça quando fizeram a estação mais importante da cidade, que mais parece caminho de minhoca?

Enfim, passada a revolta por termos atrasado 20 minutos por causa de uma baldeação idiota, nos encontramos com todo mundo e pegamos o ônibus para a viagem, que durou ridículos 30 minutos ( menos do que eu levei da minha casa até o ponto de encontro..)! Chegando na cidade, que era pequenininha, vimos a famigerada fonte, meio brega na verdade, toda ornamentada com uvinhas deliciosas.

O Marcon sempre briga comigo quando eu digo isso, mas a festa mais parecia uma peruada gigante. Tudo bem, tava cheio de famílias, barraquinhas de comida, era uma coisa mais organizada e menos maluca que a peruada. Afinal, aquilo era uma festa da cidade, e não uma peruada, dã. Mas o fato de estar cheio de estudantes, todos bêbados, com bebidas surgindo do nada e pessoas desconhecidas sendo BFF’s sem nenhum motivo, faz com que eu diga com propriedade que nós estávamos em uma festa meio peruada.

A cidade era cheia de vielinhas pequenininhas, e em várias delas tinha bandas tocando músicas típicas italianas, com pessoas vestidas à caráter e dançando muito. Era meio surreal, à noite, as pessoas dançando, uma luz cenográfica nas vielas pequenininhas, e todo mundo bêbado. Divertido.

As 17h00 era o ápice da programação da festa: depois de uns atores vestidos de rei/rainha/princesa/sei lá passarem pela fonte, ela iria parar de dar água (água com gás. Sim, as fontes da cidade dão água com gás, fedida e estranha..) e ia começar a dar vinho! Na verdade, quando eu ouvi sobre essa festa, eu imaginei bêbados com a boca embaixo da fonte, nadando no vinho e coisas bem malucas. Na verdade, a fonte estava com uma proteção, e para dentro dessa proteção só podia entrar os caras da organização. Aí, você dava o seu copinho para o moço e ele enchia de vinho e te devolvia. Seria bem mais engraçado os bêbados lá muito doidos nadando no vinho, mas enfim...

Quando a fonte começou a dar vinho, eles distribuíram também as uvas que estavam ornamentando a fonte. O vinho era a maior meleca, e tinha uma guerra infinita para conseguir encher o seu copinho. Porém, a uva era sensacionalmente deliciosa, e tinha uma guerra igual para conseguir pegar um galho. Claro, eu, pequenininha e tímidamente sóbria, não consegui pegar nenhum dos dois. Me restou ir atrás de italianos bêbados e desconhecidos atrás de uvas. Deu certo, consegui umas pouquinhas.

Quanto à comida, bom, pra variar um pouquinho, era bem gostoso. Eu comi um pão com salsicha. Parece idiota, mas era aqueles pães redondinhos fofinhos e sensacionais, e a salsicha era tipo um hambúrguer, com uma carne qualquer que era mó gostosa. Aqui, a salsicha que a gente conhece  tem um outro nome, mas eu obviamente esqueci.

Voltamos para casa à tempo de pegar o metrô antes dele fechar, chegamos em casa meio tontinhos ainda, e morremos. 

DOENÇA, DIA 3

02.10.2010

Não vale nem colocar no Blog, mas eu fiquei doente. Em Florença tomei chuva, sol, calor, frio, tudo junto e misturado, em intervalos e intensidades muito malucas. Lógico, com tudo isso e bem longe da comida da minha mamãe (leia-se: é difícil se alimentar bem por aqui, com tanta oferta de carboidratos..), eu cheguei mauzona em casa. Pelo menos eu não fiquei doente por lá, mas eu perdi 2 dias meio que de molho, morta, na minha cama. Mas tudo bem né, acontece. Espero não ficar doente de novo, e espero melhorar logo também.
Como eu precisava de um secador para não ficar doente com o cabelo molhado, resolvi dar uma passeada pela cidade à procura da melhor oferta. Sim, eu sou muquirana mesmo, e saio por aí atrás dos descontos. Nada melhor do que ir no bairro dos imigrantes fedidões para descolar uma boa barbada. Pronto, já sabia aonde ir: praça Vittorio Emanuele.

Esse lugar seria bem bonito, com uma praça bem legal, se não fosse lotado de imigrantes fedidões. Nada contra os imigrantes, nem contra o fedor deles (bom, isso eu sou um pouco contra sim, mas guardo pra mim!), mas é que eles deram uma cara de 25 de março para o lugar, e detonaram todo o potencial da pracinha e do entorno de ser um lugar mais prazeroso. Enfim, o que eu queria era um desconto, então eu estava no lugar certo.

Eu vi uma portinha pequenininha, com uns shampoos à venda lá dentro. Como estava procurando uma super oferta de shampoo também, resolvi entrar. Eu descobri que, depois da loja, tinha uma outra portinha, e lá que a coisa acontecia: era o paraíso das bugigangas, tinha tudo o que eu queria! Lá eu encontrei um secador, bom ( sério, é bom!), por 15 euros. Encontrei também um adaptador por 2,5 e pilhas recarregáveis por 10. Resolvi comprar, para não ter que comprar pilhas no centro antigo de Roma de novo. Ok, somando tudo, dava 27,5 euros; claro, eu pedi um descontinho. E o mocinho imigrante disse o seguinte: “ eh, va bene, vou fazer um desconto para você... 14 euros está bom?”. E eu, meio perplexa, falei “si, si, prego”, paguei, e saí correndo, antes que o cara mudasse de idéia! Eu paguei 14 euros por uma compra de 27,5. Eu fiquei realmente bem feliz, hahah....

Como eu tinha feito uma super compra sensacional, resolvi comprar uma webcam para o meu computador com o que eu economizei. Fui em uma loja aqui perto de casa, e paguei 15 euros pela câmera. Ainda comprei um livro, só pela felicidade mesmo ( anjos e demônios do Dan Brown, em italiano. É bem gostoso para ler, e fala várias coisinhas sobre Roma. Os mais chatinhos vão dizer que o livro é uma meleca, que o autor é um charlatão, mas as informações contidas no livro são corretas, disse o Sr. Franco Montanaro, o professor fofinho de Firenze. O que não é correto são as associações das informações, mas o livro é ficção pô, então não me encham o saco!).

Já que eu estava na rua, resolvi caminhar sem destino pelo bairro para conhecer. Pena que eu estava sem a máquina, para registrar as minhas impressões, mas acho que eu me sinto muito muito à vontade por aqui, o bairro é muito gostoso e acolhedor, com muito comércio e pessoas pela rua, é delicioso andar. O duro era que eu estava com asma e ficava sem ar, e parecia uma velhota, parando para recuperar o fôlego de uma caminhada ( caminhada lenta!) de 10 minutos. Ai handebol, como eu sinto saudades...

Voltei para casa, usufrui de todas as minhas felizes compras, e durmi. Amanhã o dia promete, nós vamos para a grande festa do vinho, em Marino. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

FIRENZE, DIA 2

29.09.2010 – AULA PARTICULAR DE HISTÓRIA

Acordamos cedo, fomos tomar café no Coop ( supermercado daqui da Itália, que os italianos dizem “cooouuupilll”. Foi muito difícil descobrir o que isso significava até ver um Coop na minha frente..), e fomos para a piazza do Palazzo Vecchio, encontrar com o professor-tutor da Didi e da Fabíola.

Encontramos um homem muito simpático, chamado Sr. Franco Montanaro. Ele era o tal professor, que dedicou toda a manhã dele à passear pelo centro de Florença, nos ensinando muitas coisas de história, simbologia, religião, restauro, tudo! O cara era ótimo, e parecia que falava com muito amor da cidade, e da história. Ele mostrou pontos da cidade e contou detalhes que nós jamais saberíamos se estivéssemos passeando sem ele.

Acho que essa manhã foi a melhor de toda a viagem, ouvi o professor falar muitas coisas interessantes, que me fizeram pensar muito sobre restauro, sobre a melhor maneira de preservar a história de um povo.Eu saí de lá convencida que a melhor maneira de preservar a história é na memória das pessoas, mantendo vivo nelas o amor pela cidade. Não adianta nada preservar monumentos que não signifiquem nada para a sociedade de agora. Talvez essa seja uma grande diferença entre nós e eles: o passado deles, aqui, efetivamente significa muito para as pessoas, mostra para elas de onde elas vieram, explicam porque a sociedade delas é o que é agora. Nós – ou pelo menos é o que eu sinto – não temos um passado para nos identificar, não sentimos os monumentos, e construções, como a marca de um passado. Sei lá, é meio triste pensar isso, parece que o Brasil é a maior meleca quando na verdade não é. O que eu estou dizendo é que falta muito arroz com feijão para nós nos tornarmos uma sociedade unida e mais consciente.

Saindo do sensacional tour matinal com o professor fofinho, nós fomos para a Galeria degli Uffizi. Pagamos 10 euros (lembrando que estudantes de arquitetura não pagam para entrar nesses lugares, mas nós tivemos que pagar porque a chatona da mulher do caixa disse que não significava nada pra ela a carta de aceitação da nossa faculdade, blábláblá), e vimos muitas coisas: Vênus de Boticelli; Primavera, de Boticelli  (que para mim foi muito mais impressionante do que a Vênus), vimos Leonardo da Vinci, Caravaggio, artistas que foram influenciados por Caravaggio, Rafael, nossa, muita muita coisa. O museu é enorme e é quase um pecado ver ele inteiro em poucas horas, mas era o que tínhamos.

Eu saí de lá acabada já, com as costas doendo, e a cabeça toda embaralhada de tanta informação. De lá fomos para a Galeria dell’Accademia, ver o David de Michelângelo. Bom, o David. MEU DEEEEUS! Foi, sei lá, de cair o queixo. A estátua é incrível, tem até as veias nos pés dele, a cutícula na unha, tudo! Parece um homem gigante, não tem explicação. Não sei como o Michelângelo conseguiu fazer essa estátua, de onde ele tirou tanto talento para conseguir, simplismente não faz sentido que aquilo tenha sido feito por um homem, à 500 anos atrás (a estátua começou a ser feita em 1501 e foi terminada em 1504, ou seja, o Brasil nem era Brasil e o David já estava lá)!

Acho que David devia ser a última estátua a ser vista por qualquer pessoa. A Galeria dell’Accademia está repleta de estátuas e de repente todas viraram uma melecona gigante, depois de eu ter dado uma olhadinha no David. Todas parecem feias e inacabadas quando na verdade devem ter dado um trabalho do capeta. Inclusive as outras estátuas de Michelangelo (que mais parecem esboços, estudos) parecem muito "estátuas" perto da quase-vida do David. Enfim, levou um tempo até conseguir superar o meu espanto com a escultura, como deu para notar...

Depois vimos o museu da música, que estava dentro da Galeria dell’Accademia, que foi bem legal também, mostrando uns pianos, violinos e tal, muito interessante. Vale a Pena. Pena que não deu para tirar fotos de nada desse dia Indoor, ficou só para a minha memória. Porém, fica a dica: é burrice vir para a Itália e não ir para Florença, então dêem um jeito de passar por lá quando vierem visitar os malucões daqui da Itália.

Chegamos em casa cansados, e mais uma vez fizemos um piquenique delicioso com vinho e queijo brie do Coop ( cooooouuuupiiillllll, como dizem os italianos), fofocamos e durmimos, para pegar o trem de volta para Roma na manhã seguinte. Infelizmente essa viagem acabou, mas com certeza absoluta eu vou voltar para Florença outras (muitas!) vezes antes de ir embora.

FIRENZE, DIA 1

28.09.2010 – FIRENZE, EBA!

Acordei as 5 e pouquinho pra chegar as 6h10 no Termini para ir pra Florença. O trem saía as 6h35, e foi britanicamente pontual. Essa era a minha primeira viagem de trem, e o vagão era tipo Harry Potter: 3 assentos lado a lado, virados de frente para outros 3 assentos, faziam uma cabine dentro do vagão, e tinha um corredorzinho do lado. Faltou só passar alguém vendendo balinhas malucas. Durmi a viagem inteira, toda torta e desconfortável, e mau aproveitei a vista. Grande erro, mas o sono foi mais forte do que eu.

Chegamos em Firenze, a Didi nos esperava na estação. Pegamos um ônibus, logo chegamos na casa dela, e logo saímos para passear. Passamos por um jardim bonito e um caminho bem prazeroso para chegar até o centro da cidade, aonde tudo acontece. Lá tem muitos turistas correndo para todos os lados, tem muitas lojas caras, muita coisa de couro, muita história de muitas épocas, tudo misturado. A cidade não é a recordação de um passado glorioso, não é o retrato do puro presente, é o resultado do que aconteceu naquele espaço em milhares de anos. Parece que tem espaço para todo mundo, para tudo o que aconteceu. Na verdade nem tem tanto espaço assim, mas as coisas convivem em harmonia, são épocas diferentes compartilhando o espaço, é bem legal.

Fachada principal e torre
Claro, fomos direto pra Santa Maria Del Fiore, sem dúvida nenhuma. A Igreja é estupidamente grande, assim como o campanário de Giotto (aquela torre do lado direito da catedral) e o Batistério, lindamente ornamentados em mármore branco, verde e rosa. A cúpula é estupidamente grande, estúpidamente alta. Parece quando a gente é burro e faz uma maquete com o entorno em uma escala e o prédio em outra na madrugada da véspera da entrega de projeto, e aí apresenta pro professor fingindo que não tem nada de errado. Mas aqui parece certo, não sei. Não tem muito espaço ao redor da igreja, como o grande jardim que tem em Pisa, então a igreja simplismente não cabia na lente da máquina, só deu pra fotografar pedacinhos dela.

A primeira vista.
















Olha a fachada da catedral lá embaixo!
Não cogitamos entrar na Igreja porque por dentro ela nem é tãaaaaao grandiosa como é por fora, então o que ia ser legal mesmo é subir na cúpula, e ficar pertinho dos afrescos da cúpula  (que são de Vasari, e alguns outros artistas/arquitetos/escultores/matemáticos/tudo), conhecer um pouco melhor sobre a construção que o Brunelleschi inventou e tal, era um passeio muito mais interessante. Pois bem, subimos. Foi demais! Lá em cima, quando nós olhávamos as pessoas na rua, elas eram quase como formiguinhas. A grandiosidade da cúpula foi construída sobre o esforço interminável dos construtores, com cuidado e perfeição. Porque não existem mais pedreiros assim? Porque eles faziam tanta coisa tão bem feita e a gente vê um monte de construção meleca? Nós devíamos nos envergonhar as vezes das coisas que fazemos, do descaso das construções com as pessoas, é quase um desrespeito! 


Palazzo Vecchio ao fundo

A saída da cúpula

Depois de muitas, muitas e muitas fotos, fomos ver o Palazzo Vecchio, palácio que foi mandado construir para proteger os nobres, e que ao longo do tempo sofreu muitas ampliações, que são bem visíveis. Hoje é aonde fica o prefeito da cidade. Logo na entrada do palácio podemos ver a réplica do David de Michelângelo, que é de tirar o fôlego, mesmo sendo uma réplica. Íamos na Galeria Degli Ufizzi, mas a fila estava enorme e decidimos deixar para o dia seguinte. Fomos então para o Palazzo Pitti, que tem um jardim que a Fabíola disse ser lindo, mas não entramos para ver. No caminho, andamos pela Ponte Vecchio e todo o seu glamour de lojinhas que vendem jóias de ouro.

Palazzo Vecchio

Ponte Vecchio

Palazzo Pitti





Palazzo Vecchio, aparecendo pela cidade.
























Na verdade, antes, na ponte tinham muitos açogueiros. Como os Médicis passavam por lá todos os dias, e não curtiam muito o cheirinho de carne nem a sujeira dos restos dos animais que eram jogados no rio, eles decretaram que na ponte só poderia se vender ouro, e deram um pé na bunda dos açogueiros. Coitadinhos! Além disso, na segunda guerra mundial, essa foi a única ponte que não foi destruída, e era o contato de Firenze com o mundo, e por onde chegavam alimentos, remédios e tal. Muito legal a ponte, e muito fotogênica também. 

Saindo do Palazzo Pitti, tentamos ir na Igreja Santa Croce, mas ela tinha fechado 10 minutos antes de chegarmos. Perdemos, fomos ver o início por do sol no rio, e foi bem gostoso. Voltamos para a cidade, procuramos uns casacos, luvas e tal nas lojas, e voltamos para casa. 


Igreja Santa Croce

Início do por do sol no rio Arno

Entardeceu, e o sino não parava de tocar.
Lá, fizemos um delicioso piquenique no chão do quarto da Didi, com 1,5L de vinho à 3 euros e queijo brie a 2 euros! Depois a gente durmiu, para acordar cedo no dia seguinte e aproveitar bastante!


27.09.2010 – VALLE GIULIA, ESTOU AQUI!

Acordamos as 10, e fomos para o nosso primeiro bandeijão! Quanta emoção! Aqui tem cartão do bandejão que a gente carrega, tem catraca para entrar, e nós podemos escolher o cardápio, com um montão de opções. Eu fui bem burra e provei que sou movida pelos desejos, quando escolhi batata, macarrão e pizza para comer, deixando de lado as frutas, salada, carne e todas as outras coisas que não são só carboidratos! Tudo bem, 1kg a mais pra mim, e eu fiquei feliz com o meu primeiro bandeijão!

De lá nós fomos para a faculdade de economia, a FEA deles, aonde tem o Uficio Erasmus (tipo a atlética dos intercambistas), para pagar uma viagem super legal para Marino, que é uma cidadezinha perto de Roma, que deve ser bonitinha e ter vinho para chuchu. Lá vai ter a tradicionalíssima e conhecidíssima festa do vinho, quando a fonte da cidade pára de dar água e começa a dar vinho! Todos os erasmus vão, no domingo, e com certeza eu vou ter boas histórias para contar.

Da FEA dos romanos, partimos para a FAU dos romanos. Estava tudo meio vazio, afinal, a faculdade está em greve ( não vou nem comentar o fato de ter saído do Brasil para pegar uma greve aqui..).  Encontramos a secretaria dos Erasmus, descobrimos que ela só abre de quarta de manhã. Como não podíamos fazer mais nada, demos uma passeada pela faculdade.
Perdão, não tirei fotos, mas vou ter um monte de oportunidade para tirar. O prédio não é tão legal quanto o da FAU, é bem diferente, e bem mais discreto, mas com certeza muito melhor do que o da FAU no quesito manutenção. Não tem goteira, não tem sujeira, mas tem pixação dizendo para a polícia sair dali, igualzinho na USP.

Os meninos da eca queriam fazer uma super viagem de carro, e eu queria visitar a minha tia em Nápoli, já que com a greve teríamos mais uma semana de férias. Não deu para visitar a minha tia, mas no comecinho da noite eu decidi ir para Florença na manhã seguinte, com a Leti e o Hiro, visitar a Didi. Corri até o Termini, comprei a passagem, voltei pra casa, arrumei as minhas coisas e durmi, amanhã o dia vai ser bem cheio e especial...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Enfim, Roma!

26.09.2010 – TURISMO EM ROMA!

Dessa vez, eu acordei as 10 da manhã para o passeio fotográfico. O Olé também acordou e a gente se encontrou na internet! O dia estava lindo e o céu estava azulzinho, mas assim que eu coloquei o pé pra fora de casa começou a chover. Que meleca!!! Mas tudo bem, logo depois parou, aqui a chuva é tão doidona quanto os italianos.


Encontrei os meninos na Piazza Venezia, e estava recebendo uma aula de fotografia do Dragoni antes de começar o passeio, quando a minha pilha acabou! Tive que comprar outra bem no centro histórico de Roma e deixar as minhas calças por lá tbm.. Mas enfim!
A primeira parada ia ser o Pantheon, e eu já nem escondia mais toda a minha felicidade arquitetônica, a ansiedade e coisa e tal. Uma quadra antes de chegar lá, nós vimos uma fachada bonitinha de uma igreja, e resolvemos entrar. Era a Igreja Sant’Ignazio di Loyola. Quando entramos, foi de cair o queixo, o lugar era sensacional. Me perdoe Michelângelo, mas o cara que pintou o teto dessa Igreja ( é um artista italiano que chama Andrea Pozzo, que morreu em 1709), foi tão bom quanto você!
A fachada da igrejinha
 Quando a gente entrou, eu disse assim pro Dragoni: “ as igrejas tinham planta em formato de cruz, e no cruzamento sempre tem uma cúpula, que é um lugar mó especial, aonde o pé direito é maior, aonde fica colocada a cruz da igreja na parte externa, blábláblá. Olha só, essa igreja é assim, olha a cúpula aí no meio...” e eu achei que estava arrasando. O Dragoni também deve ter pensado que eu estava arrasando.
Aí, a gente foi para o centro da igreja e.. tchaaaaaaan, era uma mentirinha! A cúpula era na verdade uma pintura, uma perspectiva mais do que sensacional, e aquilo lá era plano, não tinha nem uma curvinha! O Sr. Andrea Pozzo me fez de idiota! 
Fora o vexame que eu passei, eu fiquei realmente de queixo caído com aquelas pinturas! Umas pareciam esculturas, outras pareciam de verdade mesmo! Era incrível como ele estudou a entrada de luz pelas janelas e ainda fez a sombra nos desenhos como se eles fossem esculturas e a luz estivesse fazendo uma sombra em certos pontos, como nesse anjo da foto lá embaixo, que eu juro que é uma pintura. (Tem mais umas fotos da igreja lá embaixo)
a "cúpula" vista de baixo
A perspectiva demais da "cupula"


Eu fiquei realmente de queixo caído, essa igreja é demais! Acho que todo mundo que vier para Roma tem que ver ela, mas por favor não cometam o mesmo erro que eu, de ver ela antes de ir ao Pantheon, em dia de entrada gratuita. O lugar tava tão lotado, mas tão lotado, que nem foi tão legal assim.

A galera, do lado de fora.
Claro, foi legal, dã. Mas não foi tudo aquilo que eu esperava. A cúpula de 43,3m de diâmetro estava tomada de pessoas, e nem dava pra curtir a grandiosidade da construção mais antiga e bem preservada de Roma. Poxa, o Pantheon ficou pronto antes de cristo e é realmente de cair o queixo. O cuidado, a engenharia da construção, é muito legal, mas estava bombando de gente, o que atrapalhava tudo. Legal mesmo foi ter chovido! A abertura superior tem 9m de diâmetro, e molhou tudo lá dentro! Detalhe para o delicado sistema de escoamento da água, posicionado estrategicamente em 5 pontos. O chão é imperceptivelmente inclinado, aí a água escoa para o lugar certo. Tinha sim uma poça de água acumulada que não ia para lugar nenhum, mas acho que os caras merecem um desconto depois do monumento que eles criaram.
o ralo!
O mais legal o Pantheon, para mim, é pensar o que significa a projeção que os raios de sol fazem na parede. Tem vários vídeos no youtube mostrando o caminho dos raios de sol ao longo do dia, dando uma volta completa na cúpula. Acho que todo mundo já viu um vídeo desses nas aulas de história da arquitetura. Eu penso que naquela época, e ainda hoje, a simbologia disso é fortíssima. É tipo um relógio gigante, o tempo passando, um tempo cíclico, aonde as coisas se repetem mas nunca são exatamente iguais. Dá para viajar muito longe pensando nisso, e com certeza é de fritar os miolos. É uma outra forma de chamar a atenção das pessoas para como nós somos pequenininhos perto dos deuses e tal, assim como as pinturas nos tetos das igrejas.
o sol
A sensação é a mesma, mas o impacto é completamente diferente: as pinturas me causam medo, respeito, me fazem pensar que as coisas acontecem independente da minha existência. No pantheon eu senti que o tempo acontece para todos, nunca para, mas que é guiado pelo céu, sei lá, que piração maluca. Não é uma questão de religião, de crença, de nada, é quase que uma inveja pela eficiência dos artistas em mostrar em suas obras o seu ponto de vista, a sua opinião em relação ao mundo. Eu seria a arquiteta mais feliz do mundo se um dia conseguisse provocar em alguém uma sensação, qualquer sensação, com uma obra minha...
Saindo do Pantheon, encontramos o Marconzis que tinha ficado durmindo em casa, e fomos para o Foro Romano. O lugar me rendeu boas fotos, mas foi um pouco vazio depois das experiências do Pantheon e da Igreja, principalmente porque eu sei pouco sobre a história de lá. Acho que vai valer bem mais se eu estudar o lugar antes, e ir visitar de novo, para poder entender um pouco sobre como era a vida de Roma durante o período do império e tal. De qualquer maneira, as ruínas são demais, e imaginar a cidade que tinha lá, me faz pensar que a tanto tempo atrás a organização urbana já era super complexa, e que talvez nós devêssemos olhar para eles para repensar nas nossas estruturas.
Depois do Foro, tentamos ir ao Coliseu, mas ele tinha acabado de fechar quando nós chegamos! O Coliseu ficou para a próxima saída fotográfica, mas tudo bem, eu ainda tenho quase a cidade inteira para visitar! Do Coliseu fomos encontrar o Aldo, a Diana e o Daniel em uma sorveteria. Tomamos o nosso querido sorvetinho gostoso do dia e voltamos para casa.
Jantamos um macarrão que eu fiz, e que deu errado porque foi muita pimenta no molho! Eu nem encarei o molho e comi macarrão com manteiga, mas o marcon foi muito educado com o meu esforço culinário e encarou a bomba. Nem sei como ele não morreu depois...


Que composição mais bonitinha!!



Juro, é uma pintura!




Olha o Coliseu ali atrás!

Foro Romano

Outro post gigante!

Aqui está mais um pouquinho da aventura, ainda sem fotos! Este também é um ctrl+c e ctrl+v sem vergonha do meu diário, mas eu estou tentando me manter em dia, se eu conseguir prometo ser mais cuidadosa nos próximos posts. Vou tentar escrever um outro post ainda hoje, e esse sim com um monte de fotos de Roma e Florença... esse aqui tem só histórias da minha vidinha romana. Boa leitura!

20.09.2010 – ABBIAMO TROVATO UNA CASA!

Acordamos as 9, já tristinhos porque íamos passar o nosso dia na internet procurando casa, o que era um saco, principalmente em Roma. Só tínhamos uma visita marcada, para as 13h45, na Ponte Lungo. O marcon não tava muito animado porque era uma câmera doppia, e ele queria uma singola para ele. Então ficamos até 12h00 na internet, mandando muitos emails e fazendo algumas ligações, quando tinha o telefone no anúncio. Então saímos, pra variar comemos uma pizza, e fomos para a visita do dia. O entorno da casa não me animou muito, mas chegar na casa foi quase o fim dos nossos problemas! A casa tinha 2 doppias e uma singola disponíveis, por 300 o posto letto e 400 a singola. A casa era realmente demais: espaçosa, cada quarto com o seu sofá, uma varandinha gostosa que liga os quartos, a cozinha não era grande, mas era suficiente, dois banheiros, 7 minutos do metrô (cronometrados). O Marcon já queria fechar na hora e parar com aquela chatice de procurar casa, e eu fiquei com o pé atrás, claro, eu que sou a menina.
Voltamos para casa, fizemos umas ligações para descobrir se a ponte lungo era um lugar bom, e decidimos voltar para ver como é o clima da região a noite, vai que era mó perigoso e a gente não sabia... quando a noite chegou, voltamos para a ponte lungo, e durante todo  o caminho o Marcon ficou inventando 1001 motivos para me convencer a fechar aquela casa. Quando ele finalmente conseguiu, nós estávamos na frente do prédio, e íamos ligar para a moça para fechar o negócio quando.. tcharaaaaan! Durante a tarde nós tínhamos feito a maior troca de chips nos celulares e perdemos o número da moça! É O FIM DO MUUUNDO! O milagre foi que a bendita da moça ( que nós, por sinal, não sabíamos o nome, mas sabíamos o nome da mãe dela, que é Maria. Aí a gente atendia o telefone e falava “Maria?” e a moça respondia “nãao, é blábláblá”, e continuávamos sem saber o nome dela) ligou bem na hora que estávamos na frente do prédio, já nos despedindo da nossa grande oportunidade porque fomos burros e perdemos o número dela. Aí eu atendi, disse que íamos alugar e que voltaríamos no dia seguinte, as 10h30 da manhã, para fechar tudo.
Êe, felicidade! Até ganhei um sorvete de presente do Marcon, afinal fui eu que encontrei a casa, e falei com a moça e tudo mais. O melhor de tudo foi que de quebra eu ganhei o silêncio dele, porque não foi fácil ficar 3 dias ouvindo dele “ aaah você fica aí paquerando na internet e não procura casa, eu mandei o dobro de emails que você, eu fiz mais ligações que você, blablablablablá!!”. Fica a dica, marconzitos: primeiro qualidade, depois quantidade! Eu que fui boa e consegui o contato quente...

21.09.2010 – PERMESSO DE SOGGIORNO

Chegamos as 10h30 na casa nova, todos felizões, para fechar o contrato, pagar tudo e se mudar. Aí, a moça ( que ainda chamávamos de Maria, sabendo que esse era o nome da mãe dela..) nos disse que só aceitava a gente em casa se a gente tivesse o Permesso de Soggiorno na mão. O permesso é um documento italiano que diz que a gente pode ficar na Itália, e só deus sabe qual é a diferença entre este documento e o visto, mas sei lá, lógicas malucas, Europa, é melhor fazer tudo certinho.
Aí a gente saiu correndo da nossa quase futura casa, tristinhos, para mais uma aventura nos órgãos burocráticos Romanos.  Desta vez, nós fomos para o lugar aonde só os imigrantes vão para fazer documentos, como o permesso ou a permissão para trabalhar na Itália. Esse lugar chama Patronato, e só tinha imigrantes fedidões ( fedidões de verdade, tipo, F-E-D-I-D-Õ-E-S  mesmo!). Para variar, chegamos antes do almoço, e fomos atendidos para descobrir que faltavam documentos. Saímos para fazer os documentos, e quando voltamos estava fechado para a hora do almoço e só abria as 15h00. Tudo bem, demos a sorte de ser atendidos por uma mocinha brasileira muito simpática, que falou em português com a gente e deu várias dicas, mas perdemos a meleca do dia inteirinho por causa disso! E ainda, depois de tudo feito, o sistema deu problema e a moça não conseguia imprimir os documentos. Resultado: vamos ter que voltar amanhã de manhã para imprimir os documentos, pagar no correio e fazer a mudança, tudo bem cedinho porque o checkout do albergue é até as 10h30.
Depois do permesso quase feito, ligamos todos felizões para a Dona Maria (é, ainda não descobrimos o nome dela, depois de um montão de ligações, mas a essa altura do campeonato já tinha ficado chato perguntar..), dizendo que tava tudo em cima. Isso era lá para as 7 da noite, aí cada um pegou uma de suas malinhas e trouxe para a casa nova! Com 50% da mudança feita, só nos restava para o dia seguinte, até as 10h30:
-ir no patronato pegar o documento impresso;
-passar no correio e pagar as taxas;
-fazer a outra metade da mudança.
Logo, fomos durmir cedinho, e felizes, para acordar cedinho, e dispostos.

22.09.2020 – PRIMEIRO DIA E NOITE NA CASA NOVA!

Acordamos cedinho, 7 e pouco, tomamos o café “reforçado” do albergue, e fizemos tudo direitinho, dentro do horário.
Só um adendo: Daqui a 2 meses eu tenho um encontro com a polícia, aonde eles vão me medir, me pesar e fazer tipo um interrogatório para saber se eu sou ou não sou uma ameaça à nação italiana. Depois eu conto como foi.
 Depois que chegamos em casa, queríamos deitar morrer, mas tava tudo meio sujo, e eu ainda não tinha um lugar pra mim, porque no meu futuro quarto, estavam morando 2 inglesas que vieram para cá fazer um curso de italiano. Só na sexta elas vão embora, aí até lá todas as minhas coisas vão ficar jogadas no quarto do marcon, e eu vou durmir no outro quarto que está livre.
Quando era 13h00, decidimos ir comprar lençóis e coisinhas para a casa nova. Fomos para o IKEA, que é tipo a TOK STOK daqui. A loja fica láaaa longe, depois do fim do metrô tivemos que pegar um ônibus pra chegar lá, mas até que não demorou. Foi divertido, na última estação do metrô tem tipo uma feira de roupas, aonde os imigrantes fedidões vendem tudo baratinho. Pena que eu não tirei fotos.
Compramos tudo, fomos encontrar o Aldo na sorveteria que ele gosta ( comi um tramezzino dessa vez, delicioso! Tô gordinha em Roma já..), e depois fomos de novo para a Piazza San Giovanni, a mesma do dia 18.09. Dessa vez eu comi uma pizza sem pimenta, para ser mais exata foi de berinjela, e aí eu tive certeza que mais vale perguntar do que sair pedindo, a pizza tava deliciosa. Aí chegamos cedo em casa, para a primeira noite no lar. Na cama errada, mas no lar.

23.09.2010 – DIA DE DONA DE CASA

Acordei felizona, fui no mercado perto de casa, comprei umas frutinhas, pão, geléia e leite! Fiz até uma salada de frutas! Percebemos que ontem não tínhamos comprado edredon, e o marcon ia jogar futebol no fim do dia, aí fomos de novo pro IKEA, lá lonjão e tal. Depois de td comprado, pegamos um ônibus para a decathlon ( que é grandona!), e o marcon comprou a chuteira para a pelada da noite.
Essa noite, para honrar a minha vida de casada com o marcon, esperei até ele voltar do futebol para jantar. O bom mesmo foi que ele, na volta, passou no mercadinho e trouxe macarrão e coca cola! Valeu marconzis!

24.09.2010 – PRIMEIRA FESTA ERASMUS

Acordamos ao 12h00, e já fomos para a cozinha! Enquanto fazíamos o almoço, as inglesas foram embora para sempre ( foi a despedida mais estranha, tipo “tchau, nunca mais a gente se vê, vocês não tem como me encontrar nunca mais e eu nem tô ligando muito pra isso..”), e logo depois de comer eu já dominei o meu quarto! Tirei tudo da mala, coloquei no armário e fui feliz! Agora sim eu estou em casa! Pena que eu ainda não arrumei a minha cama, fiquei com medo de ser muito espaçosa e a Dona Maria não achar legal ( descobrimos: ela chama Emanuele). Roupas em um quarto, cama no outro. Mas tudo bem!
Fomos para a nossa primeira festa erasmus, que felicidade! Chegamos lá, tinha um Boteilón ( não sei se é assim que escreve...).. todo mundo entendeu né? Garrafas, cada um leva a sua, todo mundo bebe antes de entrar e tal, o famosíssimo esquenta. Esquentamos, entramos na festa! Ê, um monte de intercambista  (erasmus = intercambistas. Erasmus é um programa europeu de intercâmbio, então todas as cidades com faculdades tem erasmus..), gente de todos os cantos do mundo, ê!
E estava tudo lotado. Quem me conhece bem, sabe que eu não sou a maior fã de lotações, mas vamos lá! A música era boazinha, mas não era o estilo FAU, era o estilo baladinha, e eu fiquei deslocada! Tudo beeem, o marcon tava comigo, os meninos da eca tb, a querida Diana, espanhola que eu conheci na porta, e estavam todos tranquilões como eu! Ok, vamos dar uma volta.. foi quando eu percebi a fúria erasmus! Naquele empurra-empurra ( os meninos aqui não são nada educados, nem as meninas, e saem empurrando que nem uns trogloditas, aiaiai), eu percebi que a chegada européia se dá pela cintura. Eu andava e os caras iam me apertando, aí eu olhava para trás e eles faziam aquela cara de “How you dooooing?”. Meu, sai de mim! Aí eu saia correndo e ia me proteger com os meninos, mas foi tudo tranquilão!
Voltamos, sotto la pioggia, pegamos um ônibus noturno ( pois é, aqui tem ônibus noturno e é demais. O Brasil perdeu um ponto por não ter isso) e chegamos em casa felizes pela baladinha.

25.09.2010 – CIRCOLO DEGLI ARTISTI

Eu tinha combinado com o Olé e o Dragoni ( os amigos fotógrafos da eca) de fazer uma saída fotográfica por Roma, e íamos nos encontrar cedinho. Claro, deu tudo errado e eu acordei as 16h00, apesar da insistência do Marcon em tentar me acordar, até pulando em cima de mim. O engraçado desse dia foi que as coisas se inverteram: todos os dias sempre fui eu que acordei ele e ele que ficava fazendo manha antes de levantar, aí a vingança dele veio hoje, mas eu nem fiz manha, eu simplismente ignorei as tentativas dele,e durmi.
É sempre assim: quem acorda as 16h00 fica naquela moleza infinita até tardão, e depois não consegue durmir de madrugada, e aí estraga todos os dias até o fim da vida. Claro que comigo não foi diferente. Eu fiquei enrolando, perambulando pela casa, assaltando a geladeira e tal até as 9, quando fomos para o CIRCOLO DEGLI ARTISTI, encontrar os meninos da eca, o Aldo, e uma menina turca muito louca.
O Circolo degli artisti é um lugar bem legal. Tem um gramado, uma grande área externa com mesinhas e cadeiras, tem bar, restaurante, e uma parte interna aonde tem shows. Dá para ir e ser feliz sempre, nunca ninguém vai te empurrar, é o lugar ideal. Lá tem um telão a céu aberto aonde passam filmes ( nesse dia estava tendo um festival de filmes de terror, com debate e tudo mais, enfim..), e dizem que os erasmus organizam lá sessões de filmes italianos com a legenda em italiano. Tenho que ver isso aí, parece muito bom. O melhor de tudo é que se entrar antes das 22h30 não paga para entrar! Claro que eu, muquirana como sou, não paguei.
Nesse dia tinha um show de rock de uma banda italiana. Não lembro o nome da banda, mas foi bem legal, eles cantavam bem. Mas o mais interessante da noite aconteceu antes do show. No lugar coberto aonde estava o palco e a platéia, tinha um telão passando o jogo  Roma e Inter. Foi sensacional ver os italianos torcendo: era uma paixão incrível, eles batiam palma para as substituições, quase morriam do coração nos lances, empurravam os jogadores e tudo mais, como se eles tivessem dentro do estádio! O Roma, que segundo o Marcon está em crise, fez um gol no finzinho do jogo e ganhou. Bom, o time deve estar em crise mesmo, porque só faltou os caras chorarem de tanta emoção... a transmissão também era incrivelmente tendenciosa, e eles repetiram o gol 487 vezes, por uns 150 ângulos diferentes, e todas as vezes os torcedores malucos demonstravam toda a sua emoção. Bom, foi demais!
Durante o show o Olé me deu uma aula sobre Fotografia, com explicações muito boas sobre ISO, abertura e velocidade. Agora quando eu tiro fotos eu já sei o que está acontecendo com a luz, falta só tirar proveito disso para conseguir uns contrastes diferentes, uns focos mais poéticos e umas cores mais intensas. Enfim, isso é só com a prática, espero que nesse ano aqui eu aprenda bastante sobre fotografia.
Quando acabou o show, eu e o marconzis decidimos ir embora, para no dia seguinte acordar cedo e poder fazer o passeio fotográfico, que foi adiado para amanhã. Como nós estávamos sem o mapa de Roma, pegamos 2 ônibus noturnos para voltar para casa, e fizemos em mais de uma hora o que faríamos em 20 minutos a pé. Por essas e outras eu vou me lembrar de sempre sair com o mapa da cidade quando eu for para algum lugar que eu não conheço.
Mas, foi a maior emoção ver pessoas alternativas e muito doidas no Termini, o lugar mais doidão do mundo. Valeu pela conversa com o Marconzis sobre a valorização da nossa cultura, de como é legal a maneira com que eles lidam com a história deles, e de como é um pouquinho vergonhoso a maneira como nós valorizamos o nosso passado e a nossa cultura, se é que a gente se identifica com um passado e uma cultura que nos define.