29.09.2010 – AULA PARTICULAR DE HISTÓRIA
Acordamos cedo, fomos tomar café no Coop ( supermercado daqui da Itália, que os italianos dizem “cooouuupilll”. Foi muito difícil descobrir o que isso significava até ver um Coop na minha frente..), e fomos para a piazza do Palazzo Vecchio, encontrar com o professor-tutor da Didi e da Fabíola.
Encontramos um homem muito simpático, chamado Sr. Franco Montanaro. Ele era o tal professor, que dedicou toda a manhã dele à passear pelo centro de Florença, nos ensinando muitas coisas de história, simbologia, religião, restauro, tudo! O cara era ótimo, e parecia que falava com muito amor da cidade, e da história. Ele mostrou pontos da cidade e contou detalhes que nós jamais saberíamos se estivéssemos passeando sem ele.
Acho que essa manhã foi a melhor de toda a viagem, ouvi o professor falar muitas coisas interessantes, que me fizeram pensar muito sobre restauro, sobre a melhor maneira de preservar a história de um povo.Eu saí de lá convencida que a melhor maneira de preservar a história é na memória das pessoas, mantendo vivo nelas o amor pela cidade. Não adianta nada preservar monumentos que não signifiquem nada para a sociedade de agora. Talvez essa seja uma grande diferença entre nós e eles: o passado deles, aqui, efetivamente significa muito para as pessoas, mostra para elas de onde elas vieram, explicam porque a sociedade delas é o que é agora. Nós – ou pelo menos é o que eu sinto – não temos um passado para nos identificar, não sentimos os monumentos, e construções, como a marca de um passado. Sei lá, é meio triste pensar isso, parece que o Brasil é a maior meleca quando na verdade não é. O que eu estou dizendo é que falta muito arroz com feijão para nós nos tornarmos uma sociedade unida e mais consciente.
Saindo do sensacional tour matinal com o professor fofinho, nós fomos para a Galeria degli Uffizi. Pagamos 10 euros (lembrando que estudantes de arquitetura não pagam para entrar nesses lugares, mas nós tivemos que pagar porque a chatona da mulher do caixa disse que não significava nada pra ela a carta de aceitação da nossa faculdade, blábláblá), e vimos muitas coisas: Vênus de Boticelli; Primavera, de Boticelli (que para mim foi muito mais impressionante do que a Vênus), vimos Leonardo da Vinci, Caravaggio, artistas que foram influenciados por Caravaggio, Rafael, nossa, muita muita coisa. O museu é enorme e é quase um pecado ver ele inteiro em poucas horas, mas era o que tínhamos.
Eu saí de lá acabada já, com as costas doendo, e a cabeça toda embaralhada de tanta informação. De lá fomos para a Galeria dell’Accademia, ver o David de Michelângelo. Bom, o David. MEU DEEEEUS! Foi, sei lá, de cair o queixo. A estátua é incrível, tem até as veias nos pés dele, a cutícula na unha, tudo! Parece um homem gigante, não tem explicação. Não sei como o Michelângelo conseguiu fazer essa estátua, de onde ele tirou tanto talento para conseguir, simplismente não faz sentido que aquilo tenha sido feito por um homem, à 500 anos atrás (a estátua começou a ser feita em 1501 e foi terminada em 1504, ou seja, o Brasil nem era Brasil e o David já estava lá)!
Acho que David devia ser a última estátua a ser vista por qualquer pessoa. A Galeria dell’Accademia está repleta de estátuas e de repente todas viraram uma melecona gigante, depois de eu ter dado uma olhadinha no David. Todas parecem feias e inacabadas quando na verdade devem ter dado um trabalho do capeta. Inclusive as outras estátuas de Michelangelo (que mais parecem esboços, estudos) parecem muito "estátuas" perto da quase-vida do David. Enfim, levou um tempo até conseguir superar o meu espanto com a escultura, como deu para notar...
Depois vimos o museu da música, que estava dentro da Galeria dell’Accademia, que foi bem legal também, mostrando uns pianos, violinos e tal, muito interessante. Vale a Pena. Pena que não deu para tirar fotos de nada desse dia Indoor, ficou só para a minha memória. Porém, fica a dica: é burrice vir para a Itália e não ir para Florença, então dêem um jeito de passar por lá quando vierem visitar os malucões daqui da Itália.
Chegamos em casa cansados, e mais uma vez fizemos um piquenique delicioso com vinho e queijo brie do Coop ( cooooouuuupiiillllll, como dizem os italianos), fofocamos e durmimos, para pegar o trem de volta para Roma na manhã seguinte. Infelizmente essa viagem acabou, mas com certeza absoluta eu vou voltar para Florença outras (muitas!) vezes antes de ir embora.
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