quinta-feira, 21 de outubro de 2010

DIA EM VIETRI

15.10.2010 

Acordei bem cedinho, porque o trem partia as 7h00 para Salerno. Fiz a baldeação no Termini (tradução: Sé), já conhecida por vocês, e foi aquela mesma meleca de sempre. Cheguei em cima da hora, o trem foi pontualíssimo, e tudo deu certo!

Chegando no meu vagão, brasileiros! Brasileiras, na verdade. Tinha uma mulher que morava aqui em Roma e a amiga dela, que estava só visitando. Como eu estava tristinha, eu desabafei sobre tudo que aconteceu ( ou não aconteceu) na faculdade, e ela só disse “mas essa Itália é uma droga mesmo! 
Eu estava trabalhando na África do Sul, e lá, muitas coisas são bem mais avançadas do que aqui”, e eu, por incrível que pareça, disse: “Pois é, acho que a minha faculdade no Brasil é bem mais organizada do que essa aqui!”. Nunca achei que eu fosse dizer isso assim, nesses termos, e nessa situação, mas eu estou sentindo saudades da FAU! Inacreditável!

Bom, chegando em Salerno, os meus primos foram me buscar na estação, e me levaram até em casa. Eba! Casa, família e todas essas coisinhas confortáveis na Itália! A cidadela deles, que na verdade é um povoado, chama Vietri Sul Mare, e é toda voltada para a cerâmica. Todo mundo de lá vende cerâmica, e muito bonita. Tem uma fábrica enorme bem doidona (eu ainda não descobri quem é o arquiteto, mas descobrirei), revestida em cerâmica, bem do lado de casa. A minha tia tem uma loja de cerâmica, dá vontade de levar tudo para casa. 


Fábrica de cerâmica, a maior de Vietri



A cidade parece uma Ouro Preto bem pequenininha: várias ladeiras, muita escada, casas antigas, velinhos fofinhos na rua que param para conversar com você. Lá o tempo passa devagar, todos se conhecem, e sempre é hora de parar tudo para bater um papinho e colocar o assunto em dia. A cidade é segura, bonita, bem iluminada, a estrada para todas as outras cidades também é assim, e tem a vista para o mar mediterrâneo que é de tirar o fôlego. Aliás, passear de carro pela costa Amalfitana é de tirar o fôlego. Deus mandou bem na hora de fazer esse pedacinho do mundo. 


A cidade fofinha e o mar atrás

A igreja de vietri, bem colorida

Detalhe para a cúpula da igreja, em cerâmica verde e amarela

A cerâmica, e o mar.

Velinhos fofinhos simpáticos pelas vielas



Enfim, estava lá eu, recém chegada, na rua, usando todo o italiano que eu aprendi, e mais um pouco. Qual seria a primeira coisa a se fazer? Claro, comer! O dia 15 de outubro é o dia de Teresa aqui, e se deve dar os “parabéns” à todas as Teresas. A avó dos meus primos se chama Teresa, então ia ter um almoço especial em homenagem a ela no hotel da cidade, aonde o meu tio tem um restaurante. Entrada: presunto de Parma, mussarela de búfala e melão (estava muuuuito bom!); primeiro prato: nhoque com molho de queijo sei-lá-o-quê; segundo prato: 3 bifões de carne com uma saladinha; sobremesa: pratão de frutas; sobremesa 2: um pedaço de torta que eu não sei o nome. Tudo, claro, acompanhado de vinho. 


Dona Teresa



Bom, eu, em um dia comum, mau conseguiria terminar o prato de nhoque, visto que a entrada estava muito boa e eu devorei tudo. Porém, como é feio deixar comida no prato, eu comi tudo e quase saí rolando de lá, mas saí feliz! O bom de estar em uma cidade assim é o lindíssimo horário de almoço: nós terminamos de almoçar as 14h00, e podíamos fazer nada até as 16h00. Eu fui para casa e acabei durmindo, já que eu não conseguia fazer nada depois de comer daquele jeito. Acordei as 17h00, com o meu tio me esperando na porta de casa para fazermos um passeio. Fomos a pé de vietri sul maré até a estação de trem de salerno. Não sei quantos Km tem até lá, mas demorou bastantão para ir e voltar. 


Início do caminho para Salerno



O caminho era lindo: primeiro, durante a curta estrada, tinha a vista do mar e do porto de salerno; depois, na parte antiga de salerno, tinha aquelas  ruazinhas e vielinhas pequenininhas, fontem e fontanellas por todos os lados, iluminação fofinha de natal (que tem tema, e chama “jardim encantado”), lojinhas que vendem de tudo e um montão de pessoas simpáticas passeando pela rua e nos comprimentando; depois, tinha a parte nova da cidade, com uma via bem larga aonde só andam pedestres, lojas dos dois lados, e um montão de pessoas simpáticas passeando pela rua e nos comprimentando. Para voltar da estação até em casa, fomos costeando o mar pelo “calçadão”, aonde tem um monte de bar e jovens bebendo uma cervejinha, comendo uma pizza e sendo felizes, ou se pode ver também jovens da geração saúde fazendo uma corridinha noturna com vista para o mar. 


O porto de Salerno


Eu cheguei em casa meio exausta da caminhada e... fui jantar! Mais comidinhas e delicinhas, com frutas e pães e docinhos. Depois disso eu fui sair com o meu primo mais novo, o Roberto, e os amigos dele. Fomos para um bar em Vietri, que fica bem pertinho do mar, e o dono curtia música brasileira. Ele nem sabia que eu era  brasileira, mas falou que curtia muito a música do Brasil e que ia me mostrar. Bom, ele colocou Ivete Sangalo, depois uma música velhíssima do Parangolé e depois ele colocou Terrasamba. Eu disse que ia mostrar música brasileira de verdade para ele e coloquei Tom Jobim e claro, ele quase me deu um soco na cara porque estava esperando um axézão. Depois eu mostrei para ele Jorge Benjor e ele fez uma cara de menos bravo. Aí eu coloquei o sambão de 95 da gaviões da Fiel, mas antes que o cara pudesse dizer alguma coisa meu primo me puxou e a gente foi embora de lá.

De lá, fomos para um bar em Salerno, bebemos um pouquinho e voltamos, e toda a minha energia foi para o espaço. 

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